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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Conto: Entre Homens e Lobos, por W. Valek



Longe do barco dragão, longe da guerra e rica pilhagem. Todos os dias em minha terra são uma repetição, uma rotina cortar lenha imaginando ser o crânio de um inimigo. Caçar para prover a família, beber e fanfarronar nossas conquistas com os aliados, fazer planos e aceitar juramentos.

 A noite, perto do fogo, em meu salão brinco e conto histórias às crianças, bebo um pouco mais, recebo convidados. Mais tarde em meio as peles monto a mulher com luxúria na esperança de trazer mais guerreiros ao mundo e proliferar minha linhagem. Tudo tão normal, mas não hoje...

    Hoje a lua estará grande no céu. Hoje a manhã não será igual, nem a tarde, uma ânsia me perturba a paz, um temperamento volátil me afasta das crianças e dos amigos. O sol se move no céu chuvoso, já é hora de ir. Munido apenas de pele e arco me ponho a caminhar em meio a paisagem gelada. Bosque a dentro, ainda perigoso, montanha a dentro já no crepúsculo, talvez seja um distância segura.

    Uma fenda na montanha nada mais que um rasgo em vertical na rocha cercada de neve e alguns arbustos, mas lá, para olhos que sabem olhar além, algo místico se revela. Uma fina agonia apressa-me a entrar, lá dentro está um homem, mais espírito que carne, sentado ao redor de uma pequena fogueira, coberto por um manto velho de pele de ovelha. Ele me aponta o lugar, abaixo de uma estaria de fenrir amarrado. Despido de tudo, nu no fundo da montanha acontece.  

  A pele penica, formigando dentro e fora com o passar acelerado do sangue pelas minhas veias. O coração bate com um estrondo que me ensurdece os ouvidos,   cada vez maior e maior. A dor começa, ossos se quebram, rasgando a pele, perfurando órgãos ou empurrando-os para seus novos lugares. Gosto de sangue na boca, mandíbula deslocada, tornando-se uma bocarra monstruosa com fileiras de dentes. Membros partidos e retorcidos se tornando patas com dedos terminados em garras. A dor dos pelos cobrindo todo meu corpo é como se estivesse em chamas. A loucura toma minha mente, apenas gritar e gritar, gritar e gritar. Até tornar-se um poderoso uivo dentro do salão rochoso. A mente de homem já não existe, sem raciocínio ou compaixão, resta agora só instinto assassino de uma besta de pelos cinzentos.

  Agora lobo, correndo nas quatro patas, as garras cravando no gelo fazendo-me saltar mais longe. A montanha agora dá a luz a uma nova criatura entre homens e lobos, homens que deixei para trás, lobos que agora devo comandar. Uma matilha de feras correndo nas sombras da noite, pelos reduzindo cinza prateado com o reflexo da lua cheia. O vento noturno pasando por meu pelo, à velocidade meus irmãos e filhos de pata peluda me seguem, seu gigantesco líder agora os leva a uma aventura. Uma pequena fazenda, uma luz solitária numa casa com pouca defesa, a fera quer saborear o recém nascido que chora, mas hoje o homem é mais forte e leva para longe as mandíbulas mortais dos seus.

     Um cheiro é captado, dois, três. Um urso, um cervo, e um cavalo que fugia de seu dono. Os lobos de certo querem o cervo, a besta homem quer o urso, matar um predador, glória e poder, talvez até a besta almeja o Valhalla para sentar-se aos pés de Wotan, assim como Geri e Freky. Rasgando o manto da noite entramos num vale em busca de nossa presa.  Lá no fundo próximo a uma queda d'água está a morada do urso.

   Um uivo em desafio e o poderoso macho sai em defesa de seu território, descendo do patamar onde me encontro. Posto-me em frente ao poderoso dono do vale. Ele se põem em pé, ficando de uma estatura que nenhum homem alcança. Ficar de pé não me faz falta, sou assim durante o dia e igualmente letal. Ele urra seu desafio estrondoso e corre em minha direção, uma máquina de matar enorme. Fico firme, dentes a mostra, boca babando fúria, orelhas para trás, patas afastadas e flexionadas. Na distância certa, antes da patada mortal, me ponho em pé. 

   O urso se assusta e vacila no ataque, sem saber se da ímpeto ou freia a carreira, isso bastou para mim. Saltando de lado meti a garra no fundo da mandíbula, bem na lateral, onde os músculos fazem a junção desse ponto afundei os dedos na carne enganchando  no osso do maxilar rasgando fora toda parte inferior da boca que pretendia me devorar. O urso vai de cara na areia de forma desajeitada, a logus balançando pra fora, sangue voando no ar, empapando-se em seu pelo, fazendo desenhos no chão.

   Os espectadores se atiçam com o cheiro de morte. Sem dar tempo de meu oponente se estabilizar, salto em suas costas, mordendo seu pescoço, sentido as presas afundaram em sua carne. 

 O gosto ferroso do sangue na minha língua, um frenesi me toma, cravo as garras nos seus flancos e cavo sua carne até achar órgão e mutilá-los. Ele se levanta, como um deus urso no Ragnarok, mas eu sou Fenrir encarnado. Devorarei o universo e o deus urso. Jogo de lado meu corpo, aperto mais minha bocarra no hercúleo pescoço do inimigo, visando uma torção em seus ossos quebrando em vários pontos, rasgando artérias e ligamento. O corpo cai sem vida. Um uivo de uma besta agora assombra todo vale e além. 

   Meus irmãos e filhos comem, estarão bem por uns 2 dias. Agora na forma de homem levo o que restou do urso para minha casa de homens através da caverna na montanha do lobo. Meu povo fica salvo dos lobos e tenho uma história de caça para contar aos meus no salão com muito hydromel  e carne de urso, uma vez rei e na morte um poderoso deus guerreiro.

W. Valek



quarta-feira, 12 de junho de 2019

Conto: A Flecha, por W. Valek


A Flecha

Meus primeiros dias de vida foram em cima de uma grande árvore. De lá, eu via toda floresta, os Pinheiros altivos cravados na terra marrom escura, via como eram fortes suas raízes e como era bonito a dança da sua ponta ao vento. Vários animais dependiam do pinheiro para viver, muitos moravam nele, ou apenas descansavam de uma longa viagem; o rei da floresta ele era.

De dia pássaros cantavam suas melodias para o rei, os pica paus limpavam de sua casca os vermes, e a noite a curuja cantava em uma solitária e longa nota, embalando sua majestade. Até mesmo o céu era seu vassalo, dando-lhe um leve orvalho para aplacar a sede de um dia de sol. 

De minha morada o topo do Carvalho, contemplei por várias vezes humanos brincarem na nossa floresta, seus risos faziam feliz o Pinheiro e sua corte real. E um belo dia eu caí, pisoteado pelas crianças, afundei na terra húmida, tudo escuro, frio e muito medo, era o primeiro abraço da mãe terra jord. A terra se encheu de água da chuva de Thor, e o pai de todos Odin, disse que assim seja. 

Como por magia eu sai da terra, era alto, não mais uma bolota, eu era um pequeno carvalho. O tempo passou, passou e passou. As crianças e eu crescíamos  juntos, eu agora era mais alto que elas, que não brincavam mais da mesmo forma, se enamoravam na corte do rei, e eu também já espalhava meus descendentes no ar para virarem bolotas e um dia serem um poderoso carvalho.

Agora sou adulto, nunca mais vi as crianças, até um dia em que o menino agora homem veio até mim. Me observou como um velho amigo, e mais uma vez me levou ao chão, seu machado foi impiedoso e cruel. Me arrastou até sua casa em pedaços e me jogou no fogo, muito de mim fora perdido. Outras partes ele mutilou e moldou numa espécie de vareta que adornou com penas e uma ponta de metal. O homem me mataria aos poucos, mas para compreender tamanha maldade, permaneci vivo numa pequena parte de mim, para ver tal propósito. 

Antes tivessem  Fui atirado várias vezes no ar, voando e rodopiando como um pássaro, trespassei vários animais e seu sangue morno me cobria toda vez. Não mais eu trazia vida e abrigo, agora eu era a morte alada do homem.

Um certo dia voei na direção de um homem eu voei, asas negras de corvo me guiaram certeiro na pele de um homem. Meu mais terrível golpe direto por seu coração podia sentí-lo batendo e babando sangue na minha madeira. Fui partido ao meio pelo homem ferido que armado com seu machado derrubou o menino homem que outrora conheci, e ali, em meio ao sangue e loucura, perecemos juntos. Num último alento meu pude ver no reflexo de seus olhos mortos o rei Pinheiro em sua Glória, então eu soube, que os homens passarão mas o rei alí para sempre estará.
    
W. Valek


domingo, 5 de maio de 2019

Conto: Besta de Madeira - por W. Valek


Besta de Madeira

Manhã gelada. O céu me encara carrancudo deixando escapar uma luz embaçada por um todo cinza, como a placa peitoral mal polida e esquecida de um gigante debruçado sob o mundo para observar Midgard. Na cela do meu cavalo percorro vagarosamente a costa rochosa da minha terra, o frio me abraça como um velho amigo traveço, fazendo doer os ossos de um velho guerreiro. Minha capa garante certo calor num mundo onde meu halito pode ser visto no ar, trazendo a lembrança da infância quando eu fingia ser um grande dragão.

A vista já cansada corre o horizonte azul na busca de um dragão, um navio dragão. Numa embarcação outrora naveguei o ventre do mar, deixando para trás muitas memórias perdidas na espuma branca que surge no peito do navio dragão.
       
Lembro do vento colhido pelas velas, as grandes asas da Besta de Madeira. Sim,  esse era o nome, a Besta de Madeira eu o chamei. Lembro do oceano bravio querendo nos levar as profundezas, do gosto de sal na boca e da chuva doce que lavava nossa alma em dias abençoados por Thor. Minhas mãos ainda ásperas das vezes que remei rio acima, águas onde os inimigos nunca esperariam nossa passagem, mas a Besta de Madeira nos levava até o coração de terras onde íamos com aço e voltávamos com ouro e prata.

Além do horizonte fomos, sem nunca temer a borda do mundo. Muito vi, muito  provei, muitos prazers encontrei. Num dia de saudade venho aqui no ponto mais alto da costa olhar ao longe, e ver o fantasma do Besta de Madeira passar, levando embora meu tempo de juventude e a glória da minha vida.

        W. Valek



sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Conto: Olaff, O Lobo - Por W. Valek



Escuridão opaca, estrelas no céu começam a desaparecer. Uma luz fantasmagórica surge no horizonte, uma doentia luz com um pequeno toque de vermelho trazendo um prenúncio de morte, aquele dia vindouro. Os lobos se agitam, uma voz jovem me chama tirando-me do grande contemplativo de minhas orações, meus filhos me chamam à guerra em quanto Ruggin e Munim levam minhas palavras ao pai de todos.

Meu cavalo, parceiro de várias batalhas pisoteia o chão e resfolega ansioso pelo cavalgar livre e o pisotear de homens. Ao montar, acaricio sua crina dourada dando tapinhas no pescoço, e pergunto se hoje ele me levará ao Valhalla, se hoje estaremos cavalgando a ponte Bifrost rumo a morada de Odin.

Um servo trás meu machado abre rombo, nome adequado para arma tão letal. Dois sax na cintura como as presas de uma besta, elmo na cabeça com uma poderosa carranca de lobo a rugir. Ergo a espada aos céus, ragnarok é seu nome, o fim de tudo para aquele que sua lâmina beijar. Por último, o símbolo do lobo na bandeira professa minha chegada, Olaff Olaffson o lobo, o homem fera, o troca peles, Olaff o lobisomem e não menos Olaff o rei.

Meu cavalo me guia até a beira de um patamar, uma poderosa parede de escudos se forma a frente de meus homens, mas com a minha chegada somos como o lobo gigante que engole o sol, e aterrorizados os rivais com nosso número, os lobos aos meu pés uivam, berserkes se juntam a minha linha de frente, meus filhos a cavalo na minha reta guarda e os lobos comigo, firmes os 7 brutos. Minha parede de escudos recua e forma duas colunas em v de cada lado,  tornando-se duas grandes presas prestes a morder.

A manhã cinzenta e fria trás a chuva fina, tilintando na armadura e no meu elmo, com um ritmo quase pacifico. Então estronda o trovão. Thor falou e eu obedeço.

Sorrindo algo como se eu mesmo fosse o deus do trovão, comando o ataque, os berserkers correm em duas filas, na ponta da fila vai um grande escudo feito como a ponta de uma flecha, e la vão eles como duas poderosas serpentes. O ataque direto a barreira de homens a frente, os demais da fila firmam a força nos homens de escudos, quebrando assim a resistência  das três camadas de homens que mantém  a barreira inimiga. Os beserkers entram nas fileiras laterais como uma lâmina retorcida e cheia de curvas, causando um corte sem uniformidade, deixando-os incapazes de refazer a parede de escudos.
        
O caos reina, esporeio o cavalo, que dispara em seu galope mais animado, e assim vou de armas em punho e urrando feroz, levando a morte e o terror comigo patamar abaixo. Ao trespassar a linha dos homens meu machado morde a cabeça de um desavisado a minha esquerda, o doce sabor da primeira morte, um crânio afundando sob a lâmina de abre rombo, a espada vibrando pedindo sangue logo é estocada na garganta de um homem quase tão alto quanto eu, uma marretada era para ser um presente para mim, mas não seria agora a hora de ir ao Castelo dos Mortos.

Os lobos fizeram uma trilha de sangue e tripas onde passavam nas fileiras, meus filhos no meu suporte varriam de mim qualquer tentativa de ataque traiçoeiro, as presas formadas por meus homens abocanhavam os homens que se fecharam numa barreira circular. A batalha acabaria rápido, pois mais ondas de homens vinham do patamar em furiosa glória. Todos sabiam que os deuses nos viam.

O barulho da guerra aos poucos vai silenciando como um rio caudaloso pela enchente, secando no verão. Homens morrem e homens se rendem, o único barulho que vem após é o júbilo dos guerreiros. Água da chuva escorre em minha barba, a boca seca por cerveja, a virilha queimando por uma mulher, coração batendo enchendo meu corpo de vida, deve ser assim que um deus se sente, e mais um uma vez o trovão vem confirmar meu pensamento. Hoje diante da morte mais uma vez eu fui um deus, deleguei a morte e permito a vida, em troca de juramentos e devoção.

Velhas cicatrizes me dizem que essa é uma vida dura, mas todas elas também me falam das alegrias e recompensas de uma vida de labor, e assim deve ser e assim será.

W. Valek


domingo, 23 de dezembro de 2018

Diário de Leitura: Conto - O Forasteiro, H. P. Lovecraft

Mais um conto lido do livro O Mundo Fantástico de H. P. Lovecraft que foi lançado pela Editora Clock Tower.

Uma pessoa sem lembranças de seu passado, não sabe quem foi ou quem é. Vive vagando pelos calabouços imundos de um velho castelo que para sua angustia não possuía saída, até que finalmente tem contato com aquela que ansiava encontrar, a luz. A luz da lua lhe deu a força de vontade necessária para buscar um meio de sair daquele lugar decrépito. E em um certo dia ele conseguiu.

Sob a luz do luar ele vagou por horas - encantado com aquele novo mundo e as novas sensações que lhe causavam - até encontrar os primeiros sinais de civilização e justamente nesse lugar, onde esperava encontrar finalmente alguém após tantos anos de solidão, ele se deparou com um terror sepulcral, pois uma criatura que levaria qualquer mente humana à loucura com apenas simples contato visual também acabara de chegar ao local causando pânico e terror a todos.

O final dessa história é fantástica. H. P. Lovecraft é um mestre na arte da narrativa. Seu talento é refletido nesse conto incrivelmente bem elaborado e inteligente. Sempre me surpreendo com a capacidade deste autor.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Conto: Tempestade Divina, por W. Valek



Mortais, ó adorados mortais. Vós sempre sabeis quando estou triste, mas regojizam-se quando acontece. Meu coração enche-se de uma fria bruma, tão fria que quando bate sinto como se mil farpas de gelo o trespassassem causando tão insuportável dor que por trás dos meus dentes minha garganta urra um som tão primordial ouvido por vocês que me chamam de deus do Trovão, parecendo que o céu vai rachar.

Dos meus profundos e imortais olhos uma lágrima cristalina rola pelo meu rosto, caindo pela fenda do meu queixo, diluindo-se em milhões de gotas, tornando-se uma torrencial em suas terras. Torno-me furioso. O ar que foge de minhas narinas coléricas formam tornados destruindo teus campos. O meu poderoso braço percorre o cabo de meu martelo golpeando contra teu céu. Suas faíscas transformam-se em raios que assombram tuas crianças.

Sentado no meu trono, posso ver os nove mundos. Espero em vão meu servo mortal trazer meu mulso negro, borbulhante e ardente. Espero em vão, pois meu amigo de décadas acabara, eu o plantei embaixo de uma árvore de oliveira, mas bebo em sua honra mesmo assim.

Tornei-me triste ao ver um mortal sofrer por uma pessoa amada perdida. E lembro-me que nem mesmo um deus está livre de tal flagelo.

W. Valek



quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Conto: Viking Way, por W. Valek



Manhã fria, floresta em bruma, o machado na minha mão diz que sou lenhador a cortar madeira para o fogo. Tarde úmida, celeiro em sereno, a faca na minha mão diz que sou um açougueiro cortando uma caça. Crepúsculo, uma grande peça de madeira na mão me diz que sou carpinteiro.

Noite quente, chama e bigorna, o martelo na minha mão diz que sou um ferreiro reparando uma roda de carroça, madrugada gelada, o chifre na minha mão me diz que sou um bêbado entre as pernas de uma mulher. Visão turva, propósito de trazer vida ao mundo.  Aurora, barco deslizando no verde azulado do mar  diz que sou pescador, comercializando na costa. 

Aurora, o barco desliza no mar verde avermelhado, diz que sou conquistador, arrebatando toda Costa. Manhã fria, chifre na mão, diz que sou um senhor da guerra chamando os homens a batalha, pilhar, saquear ou valhalla. Tarde úmida, o machado em minha mão me diz que sou implacável, abrindo caminho através dos homens. 

Crepúsculo, uma peça de madeira e metal em minhas mãos, junto a meus irmãos, me diz que sou uma parede, uma parede de escudos. Noite quente, sax na mão, me diz que sou a morte, estoca e corta na parede de escudos. Visão focada, propósito de levar o terror ao inimigo.

Madrugada gelada, martelo no pescoço, me diz que sou devoto, o deus do trovão zela por mim. Aurora, a mulher na cama de palha, o gosto azedo da bebida, o machado na mão e o sorriso dos deuses me diz que sou feliz, e farei tudo de novo.

W. Valek



domingo, 18 de novembro de 2018

Diário de Leitura: Conto - O Horror em Dunwich, H.P. Lovecraft

E aí pessoal, quanto tempo não e mesmo? Nossa como é difícil manter o blog atualizado hein, mas farei de tudo para mantê-lo atualizado o máximo possível.

E para continuar meu diário de leitura eu escrevi essa pequena resenha do conto O Horror em Dunwich do livro O Mundo Fantástico de H. P. Lovecraft que foi lançado pela Editora Clock Tower.

O pequeno povoado de dunwich há muito era um lugar desagradável e esquecido por Deus. Onde apenas os mais desavisados chegariam até a desolada região. Mas tudo mudaria, e para pior, com o nascimento do jovem Wilbur Whatley.

Após o nascimento do garoto a rotina na fazenda dos Whatley mudou drasticamente o que chamou a atenção dos vizinhos, principalmente quando o velho Whatley, avô de Wilbur, começou a comprar gado, mas seu rebanho não aumentava e isso gerou muitos boatos na vizinhança.

O Jovem Wilbur tinha um crescimento anormal e feições quase bestiais, o macabro livro necronomicon é procurado e um terror cósmico se espalha pelo pequeno povoado de Dunwich. Com todos esses elementos reunidos apenas insanidade, horror e pânico.

O conto Horror de Dunwich é digno dos mais aterrorizantes filmes de terror. Daria um grandioso filme no melhor estilo massacre da serra elétrica e afins só que dez vezes melhor!

Com um final incrivelmente bem elaborado o autor consegue fechar com chave de ouro uma história que é aterradora e ao mesmo tempo cativante.


sábado, 24 de junho de 2017

Era uma vez Uma imagem #2 - Kilian e o Golem invencível.


A criatura ainda estava lá. No meio da Floresta Negra se refugiava uma das mais poderosas criaturas do reino. O Golem invencível, uma criatura criada com  um único propósito em sua existência: exterminar qualquer forma de vida. 

A região onde o Golem ficava se tornou um pântano morto tamanho é a maldade imbuída nessa criatura. Tudo ao redor daquela região era escuro e sem vida.

Mas algo parece ter dado errado na criação do ser, pois quando a maga Kilian  o encontrou por acidente quando estava fugindo de um bando de trolls famintos, o Golem parecia ter algo de anormal.

Kilian se aproximou compassos curtos e lentamente. Ela sabia dos rumores sobre a criatura, mas algo parecia atrair sua atenção para a criatura. Seus olhos se encontraram com os do terrível ser. Ela gentilmente levantou as duas mãos como quem deseja fazer um carinho e, para o espanto da jovem maga, a criatura responde baixando a cabeça lentamente como um cãozinho que deseja um carinho do dono.

E a partir daquele encontro inusitado surgiu uma amizade duradoura e poderosa. Em todas as tavernas do reino Os bardos tornaram famosa a história de Kilian e o Golem invencível.


terça-feira, 2 de maio de 2017

Era Uma Vez Uma Imagem: 1 - A Vingança de Argnor.

E aí pessoal, beleza? Sabe aquele ditado "uma imagem vale mais que mil palavras"? Então, sempre que via imagens seja de RPG, games, filmes ou qualquer que seja, eu ficava me perguntando qual a história daqueles personagens ali envolvidos naquela cena. Mesmo os vilões ou monstros me fazem imaginar o porquê deles estarem ali fazendo o que estão fazendo. Doidera, não?

Pois bem, a partir de hoje irei postar algumas imagens seguidas de uma breve história criada a partir do que se vê na imagem. E se você também quiser criar histórias a partir de imagens e vê-las aqui é só entrar em contato.

Então, vamos ao que interessa. Nossa primeira imagem.





Após percorrer todo o campo de batalha. Argnor finalmente se vê diante de seu inimigo mortal, o demônio que destruiu toda a sua família há muito tempo atrás. Por longos anos Argnor percorreu todo o reino em busca de sua vingança. Mas para alcançar tal objetivo ele teria que antes derrotar sozinho a horda de orcs lacaios do cruel demônio Shasrahs.


As chamas percorrem todo o seu braço esquerdo. Estava pronto para dar a vida no campo de batalha onde por anos lutou. Argnor, após sua intensa busca por vingança, finalmente teria paz, pois estava disposto a se juntar aos seus entes queridos. E hoje, próximo aos portões do Castelo Negro, tudo terminaria seja para o bem ou para o mal.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Só Comentando: Contando um conto.


Fala galera, tudo beleza? Estou pensando em, futuramente, criar uma sessão de Contos aqui no blog. Os contos sempre me cativaram bastante, pois são histórias geralmente curtas com finais espetaculares, ou que ficam em aberto deixando para o leitor usar e abusar de sua imaginação.

E há muito tempo escrevi dois contos, mas apenas os rascunhos, e pretendo terminá-los para publicar aqui. Não são lá grandes histórias, porém ultimamente andei pensando "bom, é melhor publicar do que deixar arquivado para sempre".

Então, se você tem um conto, um rascunho, ou uma história de seu personagem de RPG e quer publicar, é só entrar em contato comigo que damos um jeito. Não se preocupe se está bom ou ruim, o importante é escrever.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Parábolas: O Guerreiro e o Mestre


E aí galerinha boa. Mais uma bela parábola para refletir um pouco. Usemos a imaginação galara. A história não é do filme Karate Kid, mas coloquei esta imagem porque achei maneira. Esflega pra direita, esflega pra esquerda hehehe, filme top.

O Guerreiro e o Mestre

Certo dia, um guerreiro muito orgulhoso, veio ver seu Mestre. Embora fosse muito famoso, ao olhar o Mestre, sua beleza e o encanto daquele momento, o guerreiro sentiu-se repentinamente inferior. Ele então disse ao Mestre:

– Por que estou me sentindo inferior? Apenas um momento atrás, tudo estava bem. Quando aqui entrei, subitamente me senti inferior e jamais me sentira assim antes. Encarei a morte muitas vezes, mas nunca experimentei medo algum. Por que estou me sentindo assustado agora?

O Mestre falou:
– Espere. Quando todos tiverem partido, responderei.

Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver o Mestre, e o guerreiro estava ficando mais e mais cansado de esperar. Ao anoitecer, quando o quarto estava vazio, o guerreiro perguntou novamente:

– Agora você pode me responder porque me sinto inferior?

O Mestre o levou para fora. Era uma noite de lua cheia e a lua estava justamente surgindo no horizonte.
Ele disse:

– Olhe para estas duas árvores: a árvore alta e a árvore pequena ao seu lado. Ambas estiveram juntas ao lado de minha janela durante anos e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior: “Por que me sinto inferior diante de você?” Esta árvore é pequena e aquela é grande – este é o fato, e nunca ouvi sussurro algum sobre isso.

O guerreiro então argumentou:

– Isto se dá porque elas não podem se comparar.

E o Mestre replicou:

– Então não precisa me perguntar. Você sabe a resposta. Quando você não compara, toda a inferioridade e superioridade desaparecem. Você é o que é e simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa, você é você mesmo. Uma folhinha da relva é tão necessária quanto a maior das estrelas. Simplesmente olhe à sua volta. Tudo é necessário e tudo se encaixa. É uma unidade orgânica: ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior. Cada um é incomparavelmente único.


Autor: desconhecido
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